sexta-feira, março 18

Aproveitando que eu estou à toa (e sem inspiração), aí vai a minha lista com os cinco melhores filmes de tribunal

1. Testemunha de acusação (Witness for the prosecution)
2. 12 homens e uma sentença (Twelve angry men)
3. Anatomia de um crime (Anatomy of a murder)
4. O sol é para todos (To kill a mockingbird)
5. O veredicto (The verdict)

Embora tenham ficado de fora da lista, merecem ao menos citação: O reverso da fortuna (Reversal of fortune) e Muito mais que um crime (The music box). Um dia, quem sabe, alguma distribuidora há de lançar Testemunha de acusação em dvd.

segunda-feira, fevereiro 28

Era inevitável. Eis os meus pitacos sobre o Oscar:
Deviam extinguir o prêmio de melhor canção, ninguém merece ver três números musicais com Beyoncé (acho que é assim que se escreve).
Deviam proibir os discursos de agradecimento, ninguém merece ouvir todo aquele palavrório. Esse Jamie Foxx é um tremendo cara-de-pau, aquela referência "emocionada" à sua vovozinha já acontecera no Globo de Ouro e no SAG; um caso clássico de lágrimas de crocodilo. A Hilary Swank até começou bem, relembrando a origem white trash, mas depois caiu na esparrela de agradecer advogados, agentes e empresários. Falou pelos cotovelos à toa.
A Gwyneth Paltrow entregou o prêmio de melhor filme estrangeiro, mas como todos sabem "Diários de motocicleta" não estava entre os concorrentes. O curioso é que antes da cerimônia, em entrevista à CNN, ela citou os dois filmes que mais gostou no último ano: um cujo título eu não entendi e o outro era justamente o Diários. Tá vendo só? E o Walter Salles vive malhando a moça porque ela levou o Oscar no lugar da Fernanda Montenegro. Ao menos ela não guardou rancor.
E a filha, eu suponho, do Sidney Lumet? Impressionante. Não é à toa que ele continua trabalhando aos 80 anos, afinal alguém precisa pagar pelos implantes da bem fornida jovem.
A Natalie Portman é a Winona Ryder do século 21. Ambas têm um tipo delicado, usam cabelo curtinho, são adoradas pelos geeks e usam roupas esquisitas no Oscar.
Bem que podiam dar um tempo na correção política, a premiação ficou parecendo aquelas campanhas publicitárias da Benetton com brancos, negros, latinos e orientais em total comunhão. Pra piorar, ainda colocam a Penélope Cruz no palco, sendo que seus "feitos" no cinema se resumem a namorar o Tom Cruise e co-estrelar um filme com o Murilo Benício (!!!).
A Kate Winslet estava um absurdo de tão bonita. Quando assisti "Almas gêmeas" no saudoso Estação Cinema 1 (que o Xexéo injustamente acusava de cheirar a mofo), não poderia imaginar que ela e o Peter Jackson se tornariam grandes nomes do écran (não resisti). Mas que ela já era um pitéu na época, isso era.

terça-feira, janeiro 25

De nada adiantou ter lugar na segunda fileira do ônibus. A Lei de Murphy entrou em ação e, contra todas as probabilidades, acomodou as duas únicas crianças do ônibus bem na minha frente. E o pior, pertenciam à espécie mais comum de criança: a que tem bicho-carpinteiro no corpo. Podem me acusar de radicalismo, mas sou da opinião de que criança chata (o que é quase um pleonasmo) devia seguir viagem no bagageiro. Para escapar da cacofonia produzida pelas insuportáveis criaturas, fiz o que qualquer um faria: botei o fone no ouvido e só o tirei no término da viagem. Bem mais difícil foi ignorar o rosto de nariz ranhento que teimava em surgir sobre o encosto da poltrona. O jeito era fechar os olhos ou observar, com falso interesse, os detalhes do teto do ônibus.
Logo no início do trajeto o motorista chegou a ameaçar uma ultrapassagem ousada, mas desistiu em seguida. Neste exato instante, a Isobel cantava no fone: But still I hesitate because of fear. Achei uma coincidência engraçada. Se fosse ensaiado não teria a mesma sincronia. Já na serra de Petrópolis, ao encarar uma curva perigosa, o motorista tentou ultrapassar um caminhão gigantesco e quase meteu o ônibus no meio do monstrengo. Não satisfeito, incorporou o Satoru Nakajima e tentou dar um X num caminhãozinho invocado que o deixara para trás. Tomou uma fechada desmoralizante e, finalmente, sossegou o facho. Como o fone estava ocupado por Ride, Placebo, HOL e outros suspeitos usuais, o Morrissey foi impedido de fazer o comentário óbvio: And if a ten ton truck kills the both of us. Acho que me faltou presença de espírito.

sexta-feira, dezembro 24

Para quem tiver interesse em conhecer um cantor cuja música remete a Belle & Sebastian (dos bons tempos), Nick Drake e Elliott Smith, recomendo baixar nos Soulseeks da vida o álbum Calling out to you. O nome dele é Ally Kerr. Tendo uma dose extra de boa vontade, dá até para identificar uma certa influência dos conterrâneos Teenage Fanclub e Travis.

terça-feira, novembro 30

Sei não, acho que o resultado da eleição americana provou que a imagem que o resto do mundo tem do americano médio não é tão estereotipada assim. Mas apesar do resultado, ainda bem que o embate pela Casa Branca chegou ao fim. Incapaz de ignorar uma disputa temperada com altas doses de maniqueísmo (Collor x Lula, alguém?), acompanhei a reta final da campanha de maneira obcecada. Eram doses diárias de Daily Kos, Atrios, Talking Points Memo, Salon, etc. Tenho até vergonha de admitir, mas cultivei um hábito ainda pior: viciei na programação da Fox News (felizmente já estou recuperado).
Pode-se comparar a atração mórbida que a emissora exerce sobre o telespectador com a forma como acidentes na estrada capturam a atenção dos demais motoristas. Ninguém deveria olhar, mas é impossível resistir.Fica difícil acreditar na expressão séria nos rostos dos âncoras enquanto repetem o slogan absurdo: Fair & Balanced. Então, tá! Meu programa preferido, dentro dessa perspectiva masoquista, era o Hannity & Colmes. O "Insanity", uma espécie de Datena anabolizado, é um reacionário que tenta ganhar todos os debates na base do grito. O Colmes, por sua vez, é um liberal peso-leve que só está ali para exercer a valiosa função de boi de piranha. Além da política, boa parte do noticiário da Fox é direcionado ao público redneck. Não faltam alertas sobre o furacão mais recente e os danos que ele causou em algum estacionamento para trailers. E sempre tem uma reportagem sobre alguma menina que fugiu com o padrasto, com direito a entrevista da mulher abandonada (ostentando um farto mullet) contando como ela nunca desconfiou de nada (tem redneck que é cega!).
Fui resgatado dessa miséria humana graças à estréia da nova temporada de seriados. Agora só estou viciado em Desperate Housewives, o que, convenhamos, é bem mais saudável.

sexta-feira, outubro 8

Separados no nascimento

É bastante provável que este seja o primeiro caso no mundo envolvendo trigêmeos. Mas apesar do trauma da separação na mais tenra idade, a vocação dos três para vilão provou que o sangue sempre fala mais alto.

quinta-feira, outubro 7

You forgot Poland! A princípio, debate eleitoral é algo que empolga apenas os aficionados por política, mas quando um dos debatedores é ninguém mais ninguém menos que o presidente George W. Bush, o espectador casual pode estar certo de que será brindado com uma hora e meia de entretenimento da melhor qualidade. O primeiro debate entre os dois postulantes à presidência dos Estados Unidos só foi o espetáculo que foi graças à elogiável performance de Bush, que não economizou na patetice. Teve de tudo: frases desconexas, erros de pronúncia (embora manjada, nucular continua insuperável), caretas, longos segundos de mudez acompanhados do característico olhar de cervo hipnotizado pelos faróis, velhos slogans repetidos de forma absurda (it's hard work) e por aí vai. Só podia dar no que deu, foi trucidado pelo Kerry. No dia seguinte, em um comício de campanha, o filho da dona Barbara tentou consertar o estrago e finalmente rebateu as acusações que sofreu. Duvido que tenha adiantado alguma coisa. A mim só fez lembrar daquele episódio de Seinfeld, em que o George Costanza é sacaneado por um colega de trabalho devido à sua gula (The ocean called, they're running out of shrimp!) mas só consegue pensar numa resposta à altura quando já é tarde demais. E nem assim funciona:
- Oh yeah? Well, the jerk store called. They're running out of you!
- What's the difference? You're their all-time best seller!

quinta-feira, setembro 30

Pode acreditar, o blog ainda está na ativa. O que só vem confirmar que, às vezes, as aparências enganam. É verdade que a Olimpíada de Atenas acabou há mais de um mês, mas só agora minha incurável indolência me permite escrever algo sobre a competição (pena que já esqueci quase tudo que aconteceu). Os esportes que eu acompanho com mais atenção foram mal, exceção ao futebol feminino. O fiasco do basquete feminino era pra lá de previsível, vai se esperar o quê de um time dirigido pelo Barbosa? O incrível é que ele coleciona fracassos e mesmo assim não larga o osso. Saudades de Paula e Hortência. A derrota do vôlei feminino pra Rússia conseguiu me deixar deprimido, o que não é uma tarefa das mais difíceis, convenhamos. Foi quase uma repetição da derrota para Cuba nas semifinais de Sydney, o jogo na mão e de repente o time entra em parafuso. O único consolo é que desta vez não tinha aquele fuso horário que, quatro anos atrás, me obrigou a ficar acordado até o dia amanhecer. Já o futebol feminino foi surpreendente, quem acompanha o esporte pôde constatar que o time brasileiro evoluiu demais nos aspectos tático e físico (habilidade sempre teve). Só faltou um pouco de sorte naquela malfadada final, o ouro acabou caindo no colo das americanas. Para piorar, as minhas estimadas suecas não conseguiram arrumar nem uma medalhinha de bronze. Preciso revelar também meu espanto com as besteiras proferidas pelos comentaristas que se aventuraram a falar de futebol feminino. Os caras provaram que não entendem porra nenhuma do riscado. Num programa que precedeu os Jogos, teve um que citou a Noruega como uma das equipes favoritas ao ouro. Pra começo de conversa, a Noruega está em franca decadência, tanto é que tomou de quatro do Brasil no último Mundial. E o pior, a Noruega sequer tinha conseguido uma vaga para disputar os Jogos. Se eu soubesse que o nível era tão fraco, tinha me candidatado a uma vaguinha de comentarista.

quinta-feira, agosto 12

Verdade verdadeira? Este blog já morreu mas ainda não percebeu. Mas de quando em vez, como agora, eu o ressuscito e escrevo umas besteiras. Afinal, ninguém irá lê-las mesmo.
Este seria o momento ideal para iniciar aquele tradicional post em que emito opiniões rasas sobre os discos que adquiri ultimamente. O problema é que entrei numa fase (bastante longa, por sinal) de completo desinteresse musical. De acordo com as estatísticas que tenho em mãos, este ano cometi a extravagância de comprar exatos 4 cds. Sendo que apenas um é digno de nota: O álbum de estréia do House of Love, cujo preço ficou um pouco acima do padrão por mim estabelecido (sou um tanto avarento), mas ainda assim valeu a pena. Junto com os Smiths, o HOL é a única banda dos anos 80 cujos discos eu ainda tenho prazer em ouvir com frequência, sinto que o som não ficou datado. Do Cure, meu grupo favorito na distante adolescência, só o Seventeen Seconds ainda tem alta rotação (e não tenho o menor interesse em ouvir o novo deles). O mesmo vale para o Darklands, do Jesus & Mary Chain. De Echo, Siouxsie e outros menos votados é melhor nem falar.

sexta-feira, julho 9

A maior qualidade da Eurocopa é o fato de não contar com a presença do Brasil, o que permite a qualquer pessoa acompanhá-la sem ser atormentada pela histeria de torcedores e imprensa. Pena que futebol anda um troço cada vez mais chato de se ver, deu pra contar nos dedos de uma mão o número de bons jogos ocorridos em Portugal. O melhor mesmo foi aprender o rico vocabulário futebolístico utilizado pelos lusos durante as transmissões da RTP. Agora sinto falta de ouvi-los falar a toda hora sobre equipa, golo, adeptos, seleccionador, balneário, relvado, camisola, guarda-redes, pontapé de canto...
Não sei se copiaram dos nossos telejornais, mas os patrícios também têm o péssimo hábito de cobrir a comemoração nas ruas em dia de vitória da Seleção. Após a costumeira dificuldade para ouvir a deixa do âncora no estúdio, uma repórter, quase esmagada pelos fanáticos torcedores, faz aquelas mesmas perguntas imbecis que obtêm as mesmas respostas idiotas. Será que existe alguém que realmente goste de assistir esse tipo de coisa? Duvido muito.

Ao zapear a tv, parei rapidamente na MTV e comentei comigo mesmo: "Ué! O João Gordo está entrevistando o Beato Salu?". Dei de ombros e continuei a zapear.
Parece que no final das contas era só o Zé Celso Martinez. Não sei de onde eu desenterro essas maluquices.

quarta-feira, junho 30

E pensar que houve uma época em que eu conseguia preencher o espaço do meu blog com posts quase que diários. Se eram bem escritos ou capazes de despertar um mínimo interesse por parte do incauto visitante não vem ao caso. Só queria mesmo saber uma coisa: Como é que eu arrumava tanto assunto?
Pela enormidade de tempo que levei para iniciar este segundo parágrafo, devo concluir que a resposta está, no momento, fora de alcance. Melhor trocar de parágrafo, então.
Após ser advertido sobre o frio rigorosíssimo que iria enfrentar, viajei temendo uma possível morte por hipotermia. Foi uma decepção de certa forma, o máximo (ou mínimo) que encarei deve ter sido uns 8° durante as madrugadas. Mas aí eu já estava protegido pelo edredon. Ainda assim o povo que mora na cidade, e que devia estar habituado, continuava a se queixar do frio. Não entendo mais nada.
Foram cinco dias de sossego em que, para minha inveja, não se ouvia um ruído sequer. Silêncio absoluto na hora de dormir é a melhor coisa que existe na face da Terra.
O cenário é o seguinte: Noite de domingo, a névoa começa a descer na rua deserta de um bairro afastado e você está hospedado numa casa grande demais para tão pouca gente. Pode apostar que logo alguém começa a contar casos sobre assaltos a domicílio ocorridos na região. É um fenômeno estranhíssimo e infalível.
Para encerrar os trabalhos, cabe um agradecimento ao Santo André por proporcionar aos não-megalomaníacos uma noite sem gritaria e foguetório. Rosinha e Cesar Maia que se virem para reparar os danos causados ao patrimônio público pela plebe enfurecida.

terça-feira, maio 25

Como diriam os adeptos do lugar comum (longe de mim endossar tal prática), quem é vivo sempre aparece. Bom, diante das circunstâncias só me resta dizer que a indolência é algo vergonhoso.
Finalmente encontrei algo de útil para fazer com os dotz que amealhei durante minhas compras online. Tratei de trocá-los pelo "Fans only", o incensado dvd do Belle & Sebastian. O melhor de tudo é que o material contido no disco é proveniente da época em que (atenção para o discurso panfletário de militante do PSTU) a banda ainda não tinha sido cooptada pelo sistema. Tem todos os vídeos, imagens de arquivo, apresentações ao vivo e a brejeirice da Isobel com traje de colegial e maria-chiquinhas no cabelo (e você achando que Belle & Sebastian não combina com fetichismo). Também está presente a constrangida performance de "I'm waking up to us" no programa do Jools Holland; a tensão que paira entre a Isobel e o Stuart é tão densa que poderia ser cortada com uma faca (obrigado Neil Simon!). Até aquela infame entrevista no Jô Soares foi aproveitada. Mas nem tudo são flores: Algumas apresentações ao vivo foram cortadas no meio ou tiveram o áudio original substituído pela respectiva versão de estúdio. Totalmente desnecessário.
Para encerrar, leiam
aqui a resenha definitiva sobre o dvd.

quarta-feira, abril 14

Os estudiosos do cinema já devem estar carecas de saber disso, mas eu, criatura extremamente obtusa, ainda não tinha notado a repetição temática. Outro dia, após assistir Irma La Douce – no filme, um gigolô enciumado adota um disfarce e torna-se o único cliente da prostituta que deveria explorar –, finalmente me apercebi do tom farsesco presente na filmografia do Billy Wilder. Quase sempre há um personagem metido em trocas de identidade.
A continuar nesse ritmo, minha próxima e eletrizante descoberta envolverá os dramas dirigidos pelo Frank Capra. Impressão minha ou existe uma fórmula – virtuoso herói, levado ao desespero por forças corruptas, consegue alcançar a redenção – presente em todos eles? Não, não é possível...

quarta-feira, março 31

Essa entra pra série "Apertem os cintos, o revisor sumiu":
A mais recente Conexão Blogger, coluna publicada pelo JB, escolheu como tema os recentes espetáculos de violência protagonizados por gangues de pitboys na noite carioca. O fato em si não chega a ser nenhuma novidade, mas de quando em quando entra na alça de mira da imprensa (o mundo das notícias possui alta rotatividade). Mas vamos ao que interessa. Sabe qual é o título da coluna? Falta de impunidade.

Eta nóis...

terça-feira, março 23

Sigo sem a menor vontade de escrever algo que possa ser interpretado como pessoal, mesmo que remotamente. Nada melhor, então, do que continuar no seguro terreno das amenidades. Alguma objeção?... Ótimo! Parafraseando os cartazes exibidos por fanáticos futebolistas em dia de conquista de campeonato: Eu já sabia!
Os tituladores de filmes no Brasil são uns injustiçados. Para constatar o fato, basta visitar qualquer página dedicada à sétima arte que possua uma relação de filmes batizados em Portugal. Comparados aos tituladores lusitanos, os nossos são possuidores de uma sensibilidade que faria inveja ao mais derramado dos poetas românticos (te cuida Álvares de Azevedo!). O engraçado é que, ao ler um forum dedicado ao cinema, encontrei uma mensagem de um gajo a criticar o nome dado no Brasil a "The good, the bad and the ugly". Tá certo, "Três homens em conflito" não é lá grandes coisas, mas ainda assim é melhor do que o estapafúrdio "O bom, o mau e o vilão". Eu só queria saber o que diferencia o mau do vilão. E para não perder a oportunidade, eis uma amostra da criatividade que grassa pela terrinha:

Operação França - Os incorruptíveis contra a droga
Tootsie - Quando ele era ela
Um corpo que cai - A mulher que viveu duas vezes
Matar ou morrer - O comboio apitou três vezes
Sindicato de ladrões - Há lodo no cais
Cidadão Kane - O mundo a seus pés
Pacto sinistro - O desconhecido do Norte Expresso
Faça a coisa certa - Não dês bronca
Ao mestre com carinho - O ódio que gerou o amor
Inocente mordida - Não há pescoço que agüente
Cova rasa - Pequenos crimes entre amigos
Amigos, sempre amigos - A vida, o amor e as vacas

sexta-feira, março 5

Obviamente, trata-se de uma questão de suma importância e que, por conseqüência, merece ser levantada neste prestigiado espaço. Negóseguinte: A cada dia fico mais convencido de que entre os diretores donos de extensa filmografia, o Billy Wilder é o que possui o melhor aproveitamento. Cheguei a considerar o John Ford, mas concluí que só Alfred Hitchcock teria condições de bater de frente com a obra do libidinoso austríaco. Entretanto, o "mestre do suspense" tem seu calcanhar de Aquiles em parte da fase inglesa e no início e final da fase americana. Filmes como "O marido era o culpado", "A estalagem maldita", "Sob o signo de capricórnio", "Topázio" e "Trama macabra" depõem contra qualquer um. A fim de comprovar a tese acima exposta, permito-me avaliar os filmes do Billy Wilder que tive oportunidade de assistir:

De bom a excelente:
Pacto de sangue (Double indemnity) * * * * *
Crepúsculo dos deuses (Sunset Boulevard) * * * * *
A montanha dos sete abutres (Ace in the hole) * * * *
Inferno Nº 17 (Stalag 17) * * *
Sabrina * * *
O pecado mora ao lado (The seven year itch) * * * *
Testemunha de acusação (Witness for the prosecution) * * * *
Quanto mais quente melhor (Some like it hot) * * * * *
Se meu apartamento falasse (The apartment) * * * * *
Irma la Douce * * *
Beija-me, idiota! (Kiss me, stupid) * * *
Uma loura por um milhão (The fortune cookie) * * *

De regular a fraco:
Águia solitária (The spirit of St. Louis) * *
A vida íntima de Sherlock Holmes (The private life of Sherlock Holmes) * *
Amigos, amigos, negócios à parte (Buddy, buddy) *

terça-feira, março 2

Não tem coisa mais chata do que cerimônia do Oscar em que determinado filme leva todos os prêmios de roldão. Fica tão previsível que dá sono, que nem no ano do Titanic. Felizmente nenhum hobbit concorreu aos prêmios de interpretação, senão perigava ficar mais enfadonho ainda. Só valeu pelo clima de comédia pastelão que cercou a entrada do Blake Edwards no palco. Foi hilário. E quando é que o SBT vai aprender que o volume do som original deve ficar mais baixo em relação ao dos tradutores? Caso contrário, vira uma embolada só e ninguém entende patavina. E aquela repórter lesada que conversou com os brasileiros na entrada? Não aguentava mais aquela voz esganiçada perguntando: "Como é essa emoção de estar aqui?". Arre!!
Não fui corajoso o suficiente para acompanhar as "entrevistas" que a moça realizou no camarote da Brahma (ai, Jesus!), mas deu para notar que a Babi poderia substituir tranquilamente a Charlize Theron em Monster. Nem iria precisar de maquiagem.

quarta-feira, fevereiro 11

Ao observar com mais atenção os créditos na contracapa do dvd de "Três homens em conflito", deparei-me com um precioso exemplo de humor involuntário. O (ir)responsável pela tradução transformou o que devia originalmente ser "also starring Eli Wallach in the role of Tuco" em "também estrelando Eli Wallach no buraco do Tuco". Genial.

terça-feira, fevereiro 10

Em meados do ano passado, cansado de ser encarado como um pária da sociedade, decidi mudar de vida. Comprei um aparelho de dvd. Agora serei feliz, concluí enquanto optava pelo pagamento a perder de vista. Mas já não sei se foi uma boa idéia. Esse troço é muito viciante, fiquei obcecado em substituir minha coleção de fitas (montada a partir do acervo de locadoras em liquidação) pelos disquinhos prateados. Por outro lado, o dvd permitiu que eu recuperasse o interesse em assistir filmes, já que, há tempos, criei ojeriza por essa aporrinhação que atende por "fita vhs". Sem falar que os lançamentos no mercado digital costumam apresentar boas surpresas. Mais ou menos nessa época, adentrei a Americanas em busca de alguma promoção. Fuça daqui, fuça de lá, avistei "Milagre na Rua 34" em uma prateleira que oferecia dvds a vinte pratas. Inicialmente, pensei que fosse aquela refilmagem feita nos anos 90 com o Richard Attenborough (à qual nunca assisti). Já ia seguir adiante quando, finalmente, a ficha caiu. Se aquela era a refilmagem, que diabos a Natalie Wood estava fazendo na capa? Vai entender o porquê de a distribuidora desprezar o título com o qual o filme foi lançado originalmente por aqui e optar pela tradução literal. O fato é que "Milagre na Rua 34" não significa nada para quem nasceu abaixo da linha do Equador; "De ilusão também se vive" é mil vezes superior e resume com precisão o espírito do filme. Se antigamente o critério utilizado fosse o mesmo, "Sunset Boulevard" jamais ficaria conhecido como "Crepúsculo dos deuses".
Aliás, outro dia eu estava pensando sobre isso, os tituladores de filmes já foram bem mais criativos. Às vezes, até em excesso. Por exemplo, tem muita gente boa que não tolera o fato de "Shane" ter sido batizado com o melodramático "Os brutos também amam" - ainda no estilo exagerado, é válido citar "Amar foi minha ruína", noir rodado em exuberante technicolor e estrelado pela bela Gene Tierney. É uma posição respeitável, mas, imagine só, sem o legado cultural deixado pelo título do faroeste de George Stevens, a TVS (você sabe, o SBT) acabaria escolhendo outro nome para "Os ricos também choram", célebre novela mexicana dos anos 80. Hummm, pensando bem...
Polêmicas à parte, lembremos alguns títulos reconhecidamente bons: "O pecado mora ao lado" eu considero brilhante, apesar do desculpável erro de localização (o pecado mora no andar de cima, na verdade); nos dias atuais certamente mereceria algo "inventivo" como "Uma loura da pesada". Embora esta seja uma opinião controversa, prefiro o expressivo "Assim caminha a humanidade" ao lacônico "Giant". "Marcado pela sarjeta", aquele filme em que o Paul Newman vive um pugilista, é outro belo título. Não posso esquecer de "A felicidade não se compra" e "Do mundo nada se leva", dois representantes da categoria dos aforismos, bastante popular entre os tituladores da época. Não sei por que, mas desconfio que o nosso viajado presidente iria exultar caso ela voltasse à moda.

quarta-feira, janeiro 28

Agora que finalmente estamos livres do interminável noticiário referente à reforma ministerial e às comemorações dos 450 anos de São Paulo, me vem a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e indica o "Cidade de Deus" em quatro categorias do Oscar. Pra quê! Até o dia da fatídica premiação, certamente seremos bombardeados com o ufanismo desmesurado de grande parte da mídia. Saca aquelas matérias edificantes com humildes moradores do subúrbio carioca comentando sobre como a conquista do careca dourado será motivo de incomensurável alegria em suas vidas? Não? Aguardem para breve, então. Mesmo que leve apenas o Oscar de montagem, aposto que vai ter desfile no carro de bombeiros.

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Melhor momento do Globo de Ouro: após "Lost in translation" ser anunciado como vencedor nas categorias ator e roteiro, tocaram Just like honey do Jesus & Mary Chain (que está na trilha do filme) enquanto o Bill Murray e a Sofia Coppola lutavam para abrir caminho entre as mesas e alcançar o palco.

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A expectativa é grande. Se tudo correr nos conformes, no próximo episódio de Whose line is it anyway? serei presenteado com o esporádico quadro em que o Colin Mochrie e o Ryan Stiles improvisam uma cena de filme noir. É de rachar o bico. Eu nunca me canso, merecia lugar fixo no programa.

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Ok, hora de retrospectiva. Afanando uma idéia que vi no Aleatório, eis a lista dos cinco melhores cds que eu dei a sorte de encontrar em sebos:
1. The Beach Boys - Pet Sounds (stereo & mono)
2. Cowboy Junkies - Black eyed man
3. Catatonia - Greatest Hits (edição dupla limitada)
4. Black Box Recorder - England Made Me
5. Neil Young - After The Gold Rush